quinta-feira, 8 de julho de 2010

"Brasil, pra mim"

Essa época de Copa do Mundo me faz pensar sobre o nosso país, nosso Brasil... Brasil de quem, e para quem?!
Os profissionais de marketing exploram a paixão do brasileiro pelo futebol para fazê-lo crer que está sendo representado de alguma forma. São propagandas muito criativas e até emocionantes. Em uma delas é dito: "guerreiro não abandona guerreiro!" bonito, né?!
Mas qual é a concepção, em geral, que se tem de "guerreiro"?
Pedro Bial proclama/narra o heroísmo de pessoas que passam inutilmente 90 dias dentro de uma casa para, através de sei lá que critérios, um deles ganhar 1 milhão de reais. Analisando bem, é um preço razoável para a exposição de alguns, considerando que algumas pessoas se expõem gratuitamente. Mas esse não é o assunto aqui.
Eu, como Jorge Vercilo, acho que "hoje o herói e quem aguenta o peso das compras do mês; no telhado, ajeitando a antena da TV"... e ajeitando a antena da TV pra ver o quê? talvez as tal pessoas enclausuradas, talvez a Copa do Mundo...
Fiquei tocada ao ouvir o relato da professora Maria Elisa, de Introdução à prosa, na última semana. Ela viajou para o Amazonas e disse que viu as casas nas comunidades paupérrimas ribeirinhas, todas enfeitadas de verde e amarelo. Isso me remeteu à música do Chico Buarque: "é gente humilde, que vontade de chorar!"
A essa altura do texto, quem leu e não me conhece, pode pensar que eu não gosto de futebol e sou contra a copa do mundo... ao contrário, adoro futebol, e assisto a todos os jogos que posso, sendo do Corinthians, da seleção, ou qualquer outro... e chego à conclusão que assisto principalmente porque gosto, pois daí a me sentir de alguma forma representada... não sou nem territorialmente, porque, exceto o Robinho (Santos) e o Kleberson (Flamengo), todos os outros jogadores não jogam no Brasil e os milhões que eles ganham não passam nem perto dos 43 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza (segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea) que ainda existem. Se há alguma representatividade, é de nacionalidade.
Mas, de qualquer forma, assistamos a Copa do mundo! É um espetáculo que ameniza os noticiários em tempos de goleiros assassinos, e um dos poucos assuntos que ainda podem ser tratados entre pessoas de classes sociais distintas... une de alguma forma, ainda que envolto em um "misto de distância e familiaridade" (expressão utilizada por Roberto Schwarz). Mas ninguém me convence que os amazonenses ribeirinhos são todos brasileiros como nós... ah, não são!

e, se ainda me perguntarem, sou sim brasileira com muito amor, mas a parte do orgulho ainda deixa a desejar...
p.s.: este texto foi escrito antes da eliminação da seleção brasileira... e eu fiquei realmente chateada com a derrota do Brasil. A representatividade, mesmo que pequena, pesou... talvez porque eu, como os amazonenses ribeirinhos, mais do que para o futebol brasileiro, torcemos pelo Brasil, um Brasil mais justo e igualitário para todos.