domingo, 10 de janeiro de 2010

“Eta vida besta, meu Deus”

Em um canto exterior de dois planos que se cortam, deu-se o inesperado encontro.
Ele, tendo por companhia um cão, ao qual sua perna servia de travesseiro, dormia um sono profundo e certamente desejado... à luz do dia, a realidade é rigorosa e pouco lhe é oculto.
Talvez seu companheiro fosse único e oportunamente fiel, até na simultaneidade do sono. Mas a penúria persiste em escoltá-lo do mesmo modo.
Eu, em direção à Clínica estética, observei-o piedosamente, não a ponto de parar. A frivolidade me esperava com hora marcada.
Inicia-se o procedimento. Tapam-me os olhos, a boca, a face e, por fim, a sensibilidade... mumificam-me.
Aconselham-me: relaxe. Subentendo: esqueça.
Avisam-me: doerá um pouco. Penso: alertaram-lhe também que doeria?!
Sinto abrasar-me a face, mas não é pejo, é apenas mais uma etapa.
E realmente dói de forma aguda, mas física e momentaneamente. E sua dor privada exposta publicamente, quando cessará?
As indesejadas marcas que ficaram no meu rosto, em poucos dias sumirão. E as dele, algum dia se apagarão?
Oh, vida fútil. Ou, como já dizia Drummond: “Eta vida besta, meu Deus”.

Um comentário:

  1. ôo vida fútil!! ô vida besta!!... das dores deixadas pela vida, com ctza não lhe avisaram...

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