domingo, 25 de abril de 2010

"Vida louca, vida... vida breve!"

A alegria de uma situação previamente imaginada deu lugar à inércia, apreensão e à consternação suscitadas pelo incidente - desacautelada e repentina ameaça de interrupção da vida... As notícias chegavam segmentadas, com ruídos – afiguravam-se como uma brincadeira de mau gosto do acaso, como uma criança exigindo atenção – e os receptores, mesmo momentaneamente inaptos para tal tarefa, forcejavam por decifrá-las através do mover vagaroso das horas, que, sem alteração no ritmo, trouxe, também seccionado, o alívio e o conforto. Momento que traz a reflexão sobre o desejo de mudanças frequentes em nossas vidas, quando se tem a sensação de que nada muda e que somos apenas espectadores da própria história, como parece ser o vizinho, senhor de descendência oriental, que passa boa parte do dia olhando pela janela a ausência de movimento na rua e acenando ocasionalmente quando alguém o cumprimenta. Aparentemente o que ele deseja de fato é apenas ser espectador da rua, da vida, das pessoas que se movem para, em longo prazo, verem o movimento de seus trajetos. Mas, diante de situações como a descrita inicialmente, que grata é a ausência de surpresas, pois elas nem sempre são agradáveis. O melhor na maior parte das vezes é apenas pedir, como já fazia Cazuza: “Vida louca, vida... vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve!” Por isso, sábio senhor que não espera nem deseja grandes transformações... Mas pobre senhor que optou por ser apenas um observador de pequenas transformações. "Vida louca vida"

2 comentários:

  1. Primeiro, uma questão: isso tudo tem relação com o acidente no Paraná? Alguém morreu?
    Segundo, uma reflexão: não acho que somos espectadores da própria sinto-me mais como testemunha onipresente de mim mesmo e ocasional de vida de alguns; quer amados e eternizantes, quer passageiros e errantes.
    Sobre o Cazuza, prefiro pensar que "faz parte do meu show"!

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  2. Sé, é sobre o acidente do Paraná, sim! Foi bastante grave, mas ninguém morreu. E quanto a ser ou não espectador da própria vida, particularmente não me acho uma, mas o meu vizinho da frente, passa a impressão que sim... talvez por considerar que já escreveu e "atuou" o suficiente. Mas, acho que nesse caso, testemunha é equivalente a espectador.

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